quarta-feira, 26 de junho de 2013

Brasil x Itália – Gosto, cheiro e quase clima de copa

Chegando na Fonte Nova
Nosso blog foi criado para contar a saga de quatro camaradas pelos estádios e estradas da querida África do Sul, fato que tentamos reativá-lo algumas vezes depois d
a copa de 2010, mas a vida, as obrigações e tudo o que sempre nos impede de tocar ideais legais pra frente acabaram por nos refrear.





No último amistoso do Brasil antes da Copa das Confederações o Corneteiro Bruno Stern já havia lançado um ensaio de retomada ao comentar a novíssima versão do Maracanã (com toda a polêmica e saudosismo que o cercam) e as novidades que os torcedores brasileiros encontraram por lá, o tal “padrão FIFA” que já virou bordão por aqui. Sassá, por sua vez, fez uma emotiva postagem no Facebook que ajudou a pender a balança pela RETOMADA!

Fato que a recente onda de protestos, as confusas interpretações, tentativas de manipulação e insegurança política e real que se sucederam quase me fizeram mais uma vez adiar a ideia de retomar, mas após Brasil e Itália, após Salvador com seus gols, praias, acarajés e a segunda parte do hino nacional cantada à capela a plenos pulmões tive certeza que era hora!
Cadeira da sorte!


Brasil e Itália é um clássico daqueles do futebol mundial, já fizeram 2 finais de copa (melhor pra gente) e tiveram aquele mítico jogo em que Paolo Rossi mandou pra casa a certeza do Brasil de que era o melhor dos melhores em 82, isso sem falar que juntos ganharam 9 Copas do Mundo de 19 jogadas e estiveram várias outras finais! Enfim, assistir um Brasil e Itália me fez ir a Salvador e está me fazendo acreditar que valem a pena os minutos na frente do computador para falar de Futebol e de tudo que vem junto.

Quanto ao jogo, como todo mundo deve ter visto, não foi um primor de técnica (a falta de Pirlo foi muito sentida), mas teve muita emoção, grandes lances, consolidação de um padrão tático na seleção brasileira, além de, nessa ordem, Neymar e Balotelli, os gênios de cada esquadra.

Muita gente implica com Neymar porque ele “cai o tempo todo” (inclusive um playboy atrás de mim e que parecia fixado pelo jovem jogador do Barcelona).  Com Balotelli, costumam implicar porque ele nunca cai, ou melhor, porque não abaixa a cabeça. Eu gosto dos dois, de Neymar pela genial objetividade, afinal ele caindo ou não está sempre indo pro gol, e de Balotelli pela capacidade de tornar o time mediano da Itália em algo perigoso e imprevisível, gosto também do italiano pela empáfia de ser Negro numa pátria de brancos e bancar isso, jogar de forma a tornar os torcedores famosos pelo racismo em seus súditos. Balotelli prova que a Itália finalmente sofreu uma "invasão bárbara" e eu duvido que os fãs de futebol de lá queiram expulsar seu imperador negro.

Na versão Brasileira, sem os cachecóis e afins
O clima de copa estava montado. Viagem, estádio lindo, grande caminhada (e amigos, na África do Sul andamos muito!), gente que não entende nada de futebol aos montes pelas arquibancadas, a gato mestragem da imprensa esportiva em alta... acho só faltou em Salvador aquela mistura de gentes, tipo torre de babel, que vivemos na Copa de 2010, acho que no Maracanã vai ter mais e em 2014 (mesmo com aquele vídeo cretino da menina dos olhos verdes) esse ingrediente não vai faltar.


Esses apetrechos sé serão vistos nos jogos no Sul.
Em tempo: O detrator do Neymar teve tempo de dizer, cheio de autoridade, na hora do segundo gol da Itália que “Pênalti não tem vantagem” ... Sabe tudo de futebol! 

domingo, 2 de junho de 2013

O Novo Maracanã

Hoje fui ao jogo do Brasil no maracanã e saí de lá com algumas impressões que vou compartilhar.

1 - preço dos ingressos e público. Muito se fala sobre a elitização do público com o alto preço dos novos estádios. Muitos nos esquecemos de que há muito tempo futebol não é barato no Brasil. Fazemos comparações despropositadas também entre jogo de seleção brasileira, que é raro no Rio e que atrai público diferente do público regular de futebol com o que deverá ser pago durante as temporadas dos clubes.

2 - preço das coisas no estádio. Nunca foi barato comer e beber no maracanã e muitas vezes não era fácil conseguir comprar.

3 - pessoal reclamando de lugar marcado. Eu sempre fico com a impressão de que as pessoas gostavam mesmo quando chegavam cedo, escolhima um bom ugar e na hora que começava o jogo, alguém ou alguéns entrasse na frente e tentasse dividir o pedaço de degrau com você. E isso é especialmente desagradável quando se tem menos de 1,70.

4 - Realmente não é mais o mesmo estádio. O antigo maracanã que conhecemos já era. O estádio novo é bonito, confortável e bom para asssistir aos jogos. O antigo também tinha suas qualidades. Não é ponto de se discutir qual é melhor. Acho que a covardia aí, está quando se fecha um estádio para fazer uma reforma e se entrega outro para a população.
Se realmente era necessário um novo estádio, o processo deveria ter sido feito com toda a transparência possível, incluindo audiências públicas que fosssem necessárias para explicaraa real necessidade de um novo estádio. Não foi nem perto do que fizeram. Assim como o estádio foi fechadosem que se apresentasse ao público qual o projeto de reforma ou de novo estádio. Acho que caberia um concurso para definição do melhor projeto para remodelação/reconstrução, como foi feito no estádio original.

5 - tem gente reclamando que acabaram as gerais. Pessoal, a geral já tinha acabado em 2007 e antes disso já não trabalhava com sua capacidade total há muitos anos, assim como era fechada em todos os jogos internacionais.

6 - fico pessoalmente constrangido quando aqueles animadores de torcida de vôlei ficam falando nos auto falantes.

7 - se é para ter torcida de verdade em jogos do Brasil, precisa-se criar músicas de torcida de verdade.

8 - reclamamos muito que as dimensões do campo diminuíram. Realmente, o campão de 110 X 75 era legal, mas isso acabou. Todas as competições internacionais trabalham com 105 X 68. Diz-se que isso facilita as retrancas.Eu tenho minhas dúvidas. Acho que umcampo pequeno pode muito bem facilitar quem pressiona no campo no adversário, assim como reduz espaço para contra-ataques. Um dos motivos alegados para a bela fase do Atlético Mineiro no Independência é a possibilidade de poder pressionar num campo pequeno.

9 -pensei em mais coisas durante o jogo, mas esqueci.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Está acabando 2012. E 2016?

Faltam três dias para acabar a festa do esporte mundial.

Já garantimos igualar o número de medalhas dos jogos de Pequim. Fazendo uma volta no tempo, estamos no mesmo patamar desde Atlanta, em 1996. Podemos ver que a evolução do esporte brasileiro no período foi algo assim fenomenal.

Coincidentemente, Carlos Arthur Nuzman assumiu o COB em 1995. De lá para cá, os recursos aplicados nos esportes olímpicos aumentaram bastante, com enorme participação de recursos públicos (lei Agnelo-Piva).

O Brasil não se tornou um país de grandes resultados, nem os esportes olímpicos se tornaram mais populares. Assim como boa parte de nossos atletas vitoriosos questionam a falta de apoio de que recebem de duas federações, e a falta de atenção que suas modalidades recebem.

Parece claro que há algo errado nesse modelo. Há mais dinheiro, há bolsas para os atletas, mas ainda temos COB e federações bagunçando o meio-campo.

Tomara que para 2016 as coisas mudem. Porque fica difícil ver tantos recursos em mãos de gente incompetente e que o utiliza em proveito próprio. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Bestas ou bestiais.

Quando atletas sobre os quais há poucas expectativas conseguem medalhas, são heróis, que superaram dificuldades da vida, falta de estrutura e apoio e chegaram lá.

Quando algum cotado como favorito, ou tendo boa chance, perde é um fraco, tem complexo de vira-latas é amarelão e outros adjetivos.

Parece que esquecemos que o esporte é feito por humanos que podem estar num bom ou mau dia, podem sofrer ou crescer com a pressão. E isso vale para o brasileiros e para os gringos (Mike Powell e Sergei Bubka são bons exemplos).

Como o  fortíssimo esporte brasileiro (podemos começar a campanha "Adeus Nuzman"?) sempre chega aos jogos com poucos atletas em condições de bom resultado, qualquer um que falhe será visto como vilão de nosso sucesso olímpico.

Ajuda bastante o fato de cornetar ser um de nossos principais esportes (assim como o pachequismo, depende do dia e da modalidade). Hoje podemos ver alguns jornalistas especializados em futebol e automobilismo fazendo graça com as justificativas de uma atleta,  de um esporte do qual eles entendem tanto quanto eu entendo de neurocirurgia, que assumiu sua falha e a responsabilidade pela derrota.

Ainda assim, acho que perdemos a oportunidade de enviar uma delegação com muitos jovens que poderiam estar em alta daqui a quatro anos. Vi em disputa um bom número de esportistas em fim de carreiras pouco vitoriosas no nível olímpico perdendo mais uma vez.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Balanço de uma semana.


Hoje completamos uma semana de Jogos Olímpicos.

Depois das excelentes três medalhas do primeiro dia, só fomos ter outra de bronze na quinta-feira. Nas outras competições os brasileiros distribuiram paçocas...

Junto com nossas derrotas surgem inúmeras teorias para explicar. O debate é divertido, mas infelizmente há espaço para ideias racistas ("brasileiro é amarelão"), machistas ("não dá para confiar em mulher") e homofóbicas (rapazes da ginástica e mulheres do futebol são as vítimas preferenciais).

Além de serem ideias infelizes, acabam servindo para mascarar a incompetência de muitos dos envolvidos no comando do esporte no Brasil. COB e federações recebem cada vez mais dinheiro público, além de seus patrocínios e não apresentam resultados.

Some isso a transmissões muitas vezes baseada no "oba oba" e temos pronto o caldeirão para ficarmos com raiva dos atletas brasileiros.

Mas como gosto de esporte, independente de quem jogue, continuo me divertindo bem com os jogos.

E hoje uma mulher enterrou pela primeira vez no jogos olímpicos. Foi a australiana Liz Cambage.

domingo, 29 de julho de 2012

Cornetando as Olimpíadas.


Então começaram os Jogos de Londres.

Já tinha futebol rolando desde quarta-feira, mas a abertura aconteceu apenas na sexta-feira e eu não vi. Por mais bonita que seja a festa, acho que ela é feita para aquela turma que não curte muito esporte ter o que ver nos Jogos.

Ontem que os jogos começarem de fato. Judô, natação, tiro, cuspe a distância, ginástica, levantamento de copo, etc. E o Brasil levou logo três medalhas. Devido a outros compromissos e uma média com a namorada, adiei minha internação olímpica para começar hoje.

Acordei antes de sete da manhã e pude ver derrotas no judô. Na natação, pouparam o Cielo da eliminatória e não precisaram nadar a final também. Ginástica para que não foi muito legal também. Boxe os dois que vi perderam. Basquete foi mais complicado do que era para ser. Digamos que dou sorte para o Brasil.

De qualquer forma, a partir de amanhã tentarei fazer boletins diários sobre os jogos. Não vou falar só dos brasileiros porque não tenho saco para pachequismos.

p.s. Espanha fora e Uruguai enrolado. Será que vai ser dessa vez que o futebol se dá bem?

p.p.s. talvez eu não sejo o único a cornetar e vuvuzelar por aqui nas próximas duas semanas.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Essa "Bósnia" de seleção.

Os jogos da seleção proporcionam um espetáculo cada vez mais deprimente. E não só pelo mal futebol dos manos do Mano.

A cobertura mistura posturas nada críticas com um nível de "ranzinzismo" inacreditável.

O básico acaba não sendo feito. Do adversário nada se fala, afinal é obrigação dos brasileiros passar por cima de quem estiver à sua frente. No portal do maior grupo comunicação do país não há uma matéria tentando descrever o adversário, quem são seus jogadores, qual estilo de jogo.

Essa cobertura míope acaba afastando cada vez mais o fã de futebol da seleção. Acabamos acompanhando mais por um sentimento de obrigação do que por verdadeiro interesse em saber como está o time e qual seu potencial.

Claro que o time da Bósnia não é nenhuma potência do futebol mundial, mas um time que esteve na repescagem das eliminatórias para a Euro 2012 e da Copa de 2010 (em ambas oportunidades foi eliminada por Portugal) não me parece um bobo qualquer do futebol.

Isso não isenta o péssimo futebol que nosso time tem jogado, mas se fosse dado o devido destaque ao outro não ficaria aquela impressão de que só uma goleada seria resultado aceitável.

Um dos problemas de nosso futebol é achar que só no Brasil se gosta e se sabe jogar futebol. Esse é o caminho para o fundo do poço.